O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo anuncia a oitava edição do Atlas da Notícia, projeto colaborativo que, desde 2017, mapeia o jornalismo local e identifica os desertos de notícias no Brasil. O novo censo vai atualizar a base de veículos e mapear as iniciativas jornalísticas que produzem e distribuem seus conteúdos prioritariamente em plataformas de terceiros, como redes sociais, newsletters, podcasts, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo.
Em agosto será divulgado um primeiro relatório sobre o jornalismo nativo de plataformas e, no final do segundo semestre, o resultado geral do censo de 2026.
Para o presidente do Projor e coordenador-geral do Atlas da Notícia, Sérgio Lüdtke, mapear o jornalismo produzido nas plataformas “é uma resposta a uma realidade que não pode mais ser ignorada. Embora o ato jornalístico seja um ato coletivo, ao modelo de informação tradicional está sendo adicionado um novo, baseado em indivíduos. E essas iniciativas individuais ajudam a povoar os desertos de notícias”. Para Lüdtke, “há questões a enfrentar, e conhecer melhor essa realidade é fundamental para que o jornalismo prospere de forma independente e preserve seus valores fundamentais”.
“O consumo de informação hoje acontece de forma muito diversa, com jornalistas e veículos com forte atuação nas redes sociais e em plataformas ganhando cada vez mais atenção na jornada dos usuários. Para o Google, apoiar o trabalho e o desenvolvimento desses novos atores do ecossistema de notícias passa por entender quem eles são, onde estão e quais suas prioridades. Por isso, decidimos contribuir com a expansão do Atlas da Notícia, ajudando a mapear essas novas formas de produção e difusão do jornalismo no Brasil”, afirma Fabiana Zanni, Diretora de Parcerias de Notícias do Google para a América Latina.
O censo é coordenado por cinco pesquisadores regionais, encarregados de conduzir a pesquisa, e conta com centenas de colaboradores voluntários, professores, pesquisadores e estudantes que coletarão dados dos veículos de jornalismo local que atuam em cada um dos 5.570 municípios brasileiros.
Os dados do Atlas têm sido utilizados na elaboração de centenas de estudos acadêmicos. Pesquisadores, jornalistas, governos que querem orientar políticas públicas de informação e também empresas que atuam no mercado da comunicação podem acessar as informações reunidas pelo projeto.
Pesquisadores e demais usuários dispõem de uma API (Interface de Programação de Aplicações) gratuita que dá acesso a todos os dados da base. Além disso, acadêmicos, pesquisadores e jornalistas têm acesso exclusivo a uma plataforma que permite cruzar as informações do Atlas com diversas bases de dados públicas.
“A nova edição do Atlas da Notícia vai trazer ainda mais novidades técnicas e recursos para quem quiser explorar nossa base de dados, ampliando o potencial de novas pesquisas e aplicações”, disse Sérgio Spagnuolo, coordenador de dados do Atlas da Notícia e diretor do Volt Data Lab, parceiro técnico do Projor desde o lançamento do projeto, em 2017. “Uma das novidades será a criação de uma nova área logada para pessoas com acesso à nossa API gratuita, além de melhorias nos métodos de cruzamento de dados com outras bases, incluindo a atualização dos dados do Índice de Desenvolvimento Humano.”
A sétima edição do Atlas da Notícia está sendo realizada com apoio do Google e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), da Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo (ABEJ) e da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).
O censo é conduzido por um coordenador de pesquisa em cada região do país. Jéssica Botelho (Norte), Angela Werdemberg (Centro-oeste), Mariama Correia (Nordeste), Dubes Sônego Júnior (Sudeste) e Marcelo Crispim da Fontoura (Sul) coordenam o trabalho dos estudantes de faculdades de comunicação e de cidadãos voluntários que se oferecem para colaborar na coleta de dados. Voluntários interessados em contribuir com o Atlas da Notícia podem se inscrever por este formulário.
A edição de 2025 do Atlas da Notícia reforçou uma tendência já observada em edições anteriores: a redução dos desertos de notícias — municípios sem presença registrada de veículo de comunicação local — impulsionada pelo crescimento do segmento online.
No último censo, o Atlas registrou uma redução de 7,7% no número de desertos de notícias no Brasil com a incorporação de iniciativas jornalísticas de 251 municípios à base.
O segmento digital é diretamente responsável por essa expansão. O número de iniciativas online operando no Brasil cresceu de 5.245 para 5.712, um aumento de 8,9% em relação ao levantamento anterior, divulgado em 2023. Esse incremento de 467 veículos é quase três vezes o total de novas emissoras de rádio e TV registradas no último censo.
Conheça as organizações parceiras do Atlas da Notícia
O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo foi criado pelo jornalista Alberto Dines em parceria com o Labjor da Unicamp, em abril de 2002. É uma entidade civil sem fins lucrativos, não governamental, pluralista e apartidária. Além do Atlas, o Projor também coordena projetos como o Observatório da Imprensa, o Codesinfo e o Programa de Indicadores de Compromissos com o Público.
O Volt Data Lab é uma organização que dá suporte ao jornalismo há mais de 10 anos, oferecendo consultoria, análise e serviços de tecnologia e de jornalismo de dados para veículos de notícias e ONGs de todos os tamanhos.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é uma entidade dedicada ao aprimoramento profissional dos jornalistas, à difusão dos conceitos e técnicas da reportagem investigativa, à defesa do direito de acesso a informações públicas e da liberdade de expressão.
A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) é uma instituição sem fins lucrativos, destinada ao fomento e à troca de conhecimento entre pesquisadores e profissionais atuantes no mercado e que estimula o desenvolvimento de produção científica tanto de alunos da graduação quanto de mestres, doutores e professores de universidades brasileiras e do exterior.
A Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo (ABEJ), antigo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, é uma organização que reúne professores, pesquisadores, profissionais e estudantes de jornalismo em torno da defesa da qualidade do ensino e da formação em jornalismo.
A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) é uma entidade que busca agregar estudiosos de uma área específica do conhecimento e tem como propósito estimular a articulação de uma rede nacional de pesquisadores em jornalismo a fim de que se possa constituir um lugar privilegiado, tanto para a apresentação de trabalhos quanto para a formação de redes para pesquisas específicas.